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Prémio Jornalístico Carlos Cardoso

O prémio Carlos Cardoso é um prémio anual em homenagem ao falecido Jornalista Carlos Cardoso. O prémio é caracterizado, diferentemente de outros prémios da prática corrente do nosso País pelo facto de ter um único vencedor; Não tem segundos nem terceiros vencedores. A razão é simples: na luta em que estamos engajados não existem segundos nem terceiros lugares, haverá só um vencedor. No mundo de hoje em que se definem bem os quadrantes geopolíticos em termos de eixos na luta entre o eixo do bem e do mal ou vencemos ou perdemos.

Porquê o prémio Carlos Cardoso

O nascimento da Livaningo e a vitória na luta contra o eixo do mal que pretendia incinerar os pesticidas obsoletos na fábrica de cimentos da Matola exigiram sempre o acesso e divulgação da informação. Nessa altura, vários jornalistas recusaram passar a informação vindo da Livaningo. A Livaningo teve que pagar anúncios para fazer passar a sua informação. Quando os jornalistas impuseram esta auto-censura, o único que deu espaço a Livaningo era o Carlos Cardoso no Jornal “Metical”. A Livaningo não pode nem quer esquecer este gesto. Através deste prémio, a Livaningo pretende honrar a sua memória e dizer aos que o assassinaram que eles podem ter assassinado o Carlos Cardoso, mas não os seus ideais.

(Carlos Cardoso)

 

Regulamentos:

  1. O prémio de jornalismo investigativo CARLOS CARDOSO é atribuído anualmente para premiar trabalhos de pesquisa realizados e publicados em Moçambique;

  2. Podem concorrer jornalistas moçambicanos e estrangeiros que no período de Outubro de cada ano a Setembro do ano seguinte tenham feito publicar em qualquer órgão de informação legalmente inscrito no País, seja na forma de meio de comunicação de imprensa, rádio ou televisão;

  3. Os concorrentes devem apresentar cinco cópias do material de pesquisa e enviá-las com aviso de recepção para o endereço Rua de Olivença, nº15, 1º andar, Flat II.

  4. O prazo de entrega das propostas termina no final do mês de Setembro de cada ano;

  5. Os trabalhos jornalísticos deverão ser acompanhados da referência concreta do meio de comunicação e da data em que foram publicados ou transmitidos;

  6. Um júri será anualmente nomeado pela Livaningo para avaliar a qualidade das propostas. Integrarão o júri cinco personagens ligadas ao jornalismo moçambicano e à produção intelectual e cultural do País;

  7. O júri poderá não atribuir os prémios se considerar não haver trabalhos merecedores dessa distinção;

  8. Os prémios poderão, em circunstâncias especiais, serem divisíveis em atribuições ex-aqueo;

  9. O resultado da avaliação do júri deverá publicamente anunciado até finais de Novembro;

  10. O prémio será entregue ao vencedor em cerimónia pública com a presença do júri e de convidados;

  11. O prémio será no valor de $2000 (dois mil dólares americanos);

  12. Os casos omissos não contemplados neste regulamento serão solucionados pelo júri.

A Livaningo espera que este prémio contribua para continuar a abanar e mesmo escangalhar as fundações pobres e doentias em que o edifício da nossa sociedade muitas vezes tende a ser erguido.

Este ano (2005), na terceira edição, o vencedor do prémio Carlos Cardoso foi Marcelo Mosse, um jornalista independente. Marcelo Mosse concorreu para este prémio com o artigo intitulado “Guebuza e a Corrupção em Moçambique”, publicado no Jornal Savana, numa versão adaptada de um trabalho de investigação com o título “Corrupção em Moçambique, Alguns Elementos para Debate”.

Este prémio é patrocinado pela delegação da Comissão Europeia, Embaixada da Suíça e Misa Moçambique.

Quem é Carlos Cardoso?

Carlos Cardoso nasceu em 1951, na Beira, no centro de Moçambique, estudou na África do Sul, de onde foi expulso em 1974 por se ter manifestado contra o sistema de apartheid, e iniciou a sua carreira de jornalista na imprensa oficial.

Em 1982, ficou preso durante seis dias por ter escrito um editorial sobre a guerra no país e, em 1992, fundou uma cooperativa de jornalistas, a Mediacoop, e o diário “Mediafax”, a que se seguiria, em 1997, a criação de um novo diário, o “Metical”.

Pouco antes de ser morto, e em artigos sobre o escândalo financeiro escritos para o “Metical” - jornal distribuído por fax e e-mail -, Carlos Cardoso citara, entre os homens de negócios envolvidos, os nomes de Momade e Ayob Satar, dois irmãos relacionados com o filho de Joaquim Chissano e mais tarde condenados por terem organizado o crime.

No serviço fúnebre de Carlos Cardoso na Câmara Municipal de Maputo, a 24 de Novembro, o escritor Mia Couto declarou que, com o assassínio de Carlos Cardoso, de 49 anos, não morrera somente um jornalista moçambicano, mas também “um pedaço do país”.