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Pressão para Encerramento da Lixeira de Hulene

A lixeira de Hulene, com mais de 30 anos de existência, localiza-se a 7 quilómetros do centro da cidade de Maputo e é o único destino para a todo o lixo que a cidade produz.

Quando a cidade de Maputo foi construída e o bairro de Hulene seleccionado para a instalação da lixeira, não tinha sido previsto que a população da cidade crescesse até ao número que atingiu actualmente.

A guerra civil que durou 16 anos depois da independência nacional provocou a deslocação das pessoas das zonas menos seguras para a cidade. Chegados à cidade, os refugiados começaram a ocupar e fazer surgir bairros novos, onde de uma forma desordenada iniciaram a construção de suas casas. O bairro de Hulene não escapou dessa ocupação. Várias famílias começaram a construir suas casas à volta da lixeira. Por incapacidade financeira essas famílias não resolveram regressar às zonas de origem. Outras motivações estão ligadas às cheias do ano 2000, ao facto de o bairro estar perto da cidade, com todas as vantagens que isso traz, como por exemplo, a localização perto da estrada, do mercado, e de algumas infra-estruturas sociais como as escolas, etc. Mas a motivação da permanência de pessoas à volta da lixeira está também, tristemente ligada ao facto de algumas pessoas ganharem láo seu sustento–os seleccionadores de lixo – que retiramd a lixeira produtos

(Vista espacial da lixeira de Hulene)

como ferro (sucatas), caixas de papelão, latas, plásticos e outros para venderem em certas empresas para a reciclagem.

Problemas Provocados pela Lixeira

A lixeira constitui um atentado à saúde pública devido a vários factores que incluem a sua localização, o facto de estar saturada, a incineração e deposição desordenada do lixo e a falta de fiscalização e controle dos camiões que depositam o lixo por parte dos agentes da polícia camarária e guardas da lixeira.

Sendo assim, os principais problemas que ela provoca são os seguintes:

  • Poluição ambiental devido ao facto de ser uma lixeira aberta e à incineração descontrolada do lixo;

  • Proliferação de uma vaga de moscas e mosquitos responsáveis pela transmissão de doenças diarreicas e malária;

  • Cheiros nauseabundos;

  • Ocorrência de crimes devido à falta de iluminação e vedação da lixeira;

  • Invasão de residências pelo lixo;

  • Devido à falta de controle na deposição do lixo, os separadores de lixo recolhem produtos fora do prazo de consumo para vender nos mercados ou noutros locais.

   (Incineraçäo descontrolada de lixo na lixeira de Hulene)

Devido a estes problemas, as populações residentes no bairro B, zona mais próxima da lixeira, depois de várias tentativas fracassadas de negociar com o Governo, solicitaram apoio da Livaningo para a busca de uma solução para os problemas causados pela lixeira.

A Livaningo, preocupada com esta situação, e tendo constatado que a lixeira recebe uma variedade de produtos, incluindo químicos, que quando são incinerados emitem gases tóxicos prejudiciais à saúde humana, uniu esforços e realizou encontros com as populações afectadas e com os representantes do Conselho Municipal separadamente e, depois, juntando as duas partes.

(Pessoas reciclando algo útil da lixeira)

(Lixo invadindo residências)

Mais tarde, depois de vários encontros sem resultados satisfatórios, foram realizadas campanhas e marchas públicas pedindo o encerramento da lixeira. O Governo, vendo-se pressionado, e não tendo outra saída, concordou com o encerramento da lixeira mas, mostrou dificuldades em iniciar os trabalhos alegando tratar-se de um processo delicado e dispendioso.

Uma vez que, sendo necessário fazer alguns estudos para a identificação de um local adequado e mobilizar fundos para a construção de um aterro sanitário, seria necessário muito tempo até o encerramento da lixeira de Hulene, foram identificadas algumas medidas urgentes para minimizar os problemas. Tais medidas incluíam a vedação total da lixeira e a sua pulverização para reduzir a proliferação de moscas e mosquitos.

Situação Actual da Lixeira de Hulene

A vedação da parte frontal da lixeira foi concluída em 2003 e a desinfecção foi também iniciada. A lixeira continua a receber toneladas e toneladas de lixo, apesar de já não estar em condições para tal.

Foi identificado o Bairro de Matlhemele, no Município de Matola, para a construção de um aterro sanitário numa área de 36 hectares, que sirva os Municípios de Maputo e Matola. A demarcação do local já foi concluída. Prevê-se que sejam feitos estudos de impacto ambiental e económico ainda este ano para permitir que a construção do aterro seja iniciada no próximo ano, 2006.